Bruna Gorresio

Uma coisa que eu brinco bastante com os meus amigos é que você provavelmente conseguiria fazer uma trilogia de livros ou até mesmo filmes sobre tudo que eu passei nos meus 20 anos nesse planeta e talvez não fosse o suficiente para contar tudo. É difícil falar qual foi o momento em que minha vida realmente mudou de vez porque aconteceu várias vezes e de modos completamente diferentes. O que eu sei definir com certeza foi quando eu decidi virar a minha vida para conseguir alcançar os meus sonhos.

Eu diria que 17/18 é a idade mais difícil para qualquer pessoa, porque é quando a gente tem que fazer a escolha “mais importante” da nossa vida: o que e onde eu vou cursar faculdade? Aiaiai, uma perguntinha chata e que vem um pouco cedo demais na nossa vida. Bom, para mim a pergunta foi quase impossível de responder, mas talvez não pela razão que você está pensando. Desde meus 12 anos eu sei o que eu quero fazer da minha vida: eu quero abrir uma loja de doces caseiros (bolo, torta etc.). Não parece que eu teria dificuldade de escolher o que eu queria estudar, mas eu não achava em nenhuma faculdade brasileira o curso que fosse me ajudar. O curso ideal para mim simplesmente não existia no Brasil e eu não sabia o que fazer, a não ser cursar algo que fosse o mais parecido possível.

Então eu fui fazer cursinho e tinha escolhido a coisa mais próxima ao curso que eu queria para prestar no final do ano. Vou te contar que eu absolutamente estava odiando fazer cursinho e não estava animada para começar a faculdade também, o que não é ideal. Para a minha sorte, a oportunidade perfeita caiu no meu colo um dia. Meus pais são professores e uma aluna da minha mãe um dia ofereceu de eu ir me mudar com ela para Portugal, já que a família dela tem casa e teria um quarto vazio, quando ela fosse com a faculdade dela.

Desde a primeira vez que eu tinha vindo para a Europa aos 12 anos, meu sonho sempre era voltar para cá, mas por algum motivo eu sempre pensei em fazer isso depois de me formar na faculdade. Eu parei para pensar quando minha mãe me contou essa notícia e falei “Por que não ir agora e já conseguir meu diploma lá ao invés de esperar mais não sei quantos anos?”, então eu concordei na hora. Resumindo, eu pesquisei várias faculdades, e infelizmente a aluna da minha mãe desistiu de ir para a Europa, mas a semente já tinha sido plantada no meu cérebro e eu não queria mais ficar no Brasil de jeito nenhum. Por acaso naquela mesma semana a feira de faculdades internacionais estava acontecendo e eu fui para ver para que país eu conseguiria ir. Vou pular a parte chata haha, mas eu acabei descobrindo que já que eu tenho um passaporte europeu, os melhores lugares para eu me mudar eram a Holanda e a Irlanda, e eu acabei escolhendo ir para a Holanda.

Menos de um mês depois disso, eu e minha mãe estávamos no avião com a maioria das minhas coisas oficialmente me mudando para a Holanda aos 17 anos. Eu cheguei a comentar que eu NUNCA tinha estado na Holanda antes? Bom, essa é a verdade. Eu larguei tudo e arrisquei ir para um lugar completamente novo, 9 mil quilômetros da minha família, para começar uma vida nova completamente sozinha em Amsterdã.

No final das contas, aquele curso também não era o certo para mim, e depois de um ano eu mudei para o curso que cabe perfeitamente no que eu sempre quis, e me mudei para Roterdã para cursar ele. O curso é absolutamente perfeito, é uma mistura de administração internacional e línguas. Não só eu tenho aulas de administração, como eu tenho aulas de línguas e aulas de administração naquelas línguas que eu estudo. A melhor parte dos meus estudos até agora foi que parte do curso incluiu a gente criar uma empresa e importar um produto para vender no mercado holandês. Foi a melhor experiência de todas e me ensinou muito mais sobre o mundo dos negócios do que eu teria aprendido em uma classe normal.

Essa mudança foi o jeito físico de como eu virei a vida. Eu também virei a vida várias vezes do lado psicológico ao fazer terapia para lidar com as várias coisas que eu já passei nas 2 décadas em que eu estive viva. Eu inclusive estou fazendo um tratamento novo para lidar com traumas que realmente mudou o jeito como eu vejo não só as coisas que estão acontecendo, mas tudo que já aconteceu, e me transformando de volta na minha eu verdadeira.

Cris Gontow

É interessante olhar para a própria vida como se fosse um vídeo em retrospectiva; a gente vê tudo por que passou, as escolhas certas e erradas que fez, mas consegue (às vezes) se distanciar emocionalmente e até contar a história toda sem precisar recorrer à caixa inteira de lencinhos😢.

Como já passei dos 50, contar minha vida inteira equivaleria a uma enciclopédia, a cuja leitura não submeteria minha pior inimiga 😃. Então, aqui vão alguns pontos altos e baixos, que me trouxeram até aqui, e me motivaram a ajudar outras mulheres a tentar virar suas vidas.

Nasci numa família relativamente ajustada – mãe, pai, irmãozinho – de família classe-média paulista. Meu pai era industrial do ramo de brinquedos, o que me dava acesso a coisas que a maioria das crianças sonhava: brincar dentro de uma fábrica de bichos de pelúcia. O sonho, porém, acabou quando, aos 47, meu pai morreu de câncer, e deixou uma fábrica falida e uma família com o nome sujo no mercado. Minha mãe teve que se virar para sustentar os filhos de 10 e 6 anos, e eu tive que, meio que do dia para a noite, virar adulta.

Não foi fácil. Chorava de noite enquanto minha mãe não via, e aprendi a cozinhar e a cuidar da casa e do meu irmão para ajudar minha mãe, que chegava em casa exausta do trabalho e mal conseguia prestar atenção no que tentávamos contar a ela sobre o nosso dia na escola.

Mas, enfim, cresci e, por sorte, sempre gostei de estudar. Infelizmente, porém, a carreira que escolhi no Brasil não é a melhor remunerada – estudei Língua e Literatura Inglesas na PUC de São Paulo e me tornei professora de inglês. Apesar disso, sempre fui muito realizada profissionalmente, e tenho a sorte de ter entre meus alunos pessoas maravilhosas, inclusive a Andressa Lora, minha coautora deste blog💗.

Na minha carreira de professora conheci a pessoa com que iria me casar, o que foi outra grande mudança na minha vida. Eu sempre tive grandes aspirações pessoais – viajar, conhecer vários lugares e pessoas, me desenvolver pessoal e profissionalmente – mas casar e ter filhos nunca foi um grande sonho para mim. Com o meu casamento, meu foco mudou de mim para a minha nova família, e isso, honestamente, nem sempre foi bom. Acho que muitas mulheres não admitem como o casamento faz com que elas anulem uma parte de si para satisfazer o outro, ou para manter a tal harmonia do lar. Como muitas, me anulei diariamente para evitar brigas, para contemporizar, para manter meu lar.

E, claro, a outra e maior mudança. Tive filhos. Este é um passo sem volta na vida de uma pessoa, e a melhor consequência do meu casamento, mas é uma mudança em que você nunca mais pensa da mesma maneira. Não quero desmerecer os homens, mas a maternidade é uma coisa que só a mãe entende – e nem precisa ser mãe biológica para entender. É uma mudança quase genética – você muda na alma, nos valores, no que é importante para você. Você realmente abre mão da tua comida para dar para o teu filho. Eu que nunca sonhei em ser mãe nem imaginava a força desta ligação. É louca e é para sempre. Mesmo.

Aí passei por outra mudança louca. Depois do nascimento dos meus filhos, minha vida sexual se reduziu a zero, e entrei num processo de destruição da minha autoestima, que culminou em um quadro de depressão e síndrome de pânico. Quando me tratei e me fortaleci, consegui encarar a razão do meu problema – meu ex-marido é gay. Conversei com ele, que não aceitou, na época, esta revelação. Sim, porque a conversa foi louca assim: eu quero me separar porque eu preciso de um homem e eu acho que você também! Foi um processo difícil de aceitação para nós dois, mas que me ensinou a importância de ser verdadeira comigo mesma.

Hoje meus filhos ainda são o centro do meu universo, mas sinto que está na hora de virar a vida de novo. Tenho muitos anos de vida produtivos pela frente, e quero vivê-los da maneira mais plena possível. Acho que, como mulher mais velha, ainda carrego muitas culpas, mas quero me despir delas para poder me cuidar melhor – cuidar do corpo, da alma, da carreira – para ajudar outras mulheres a mudarem de vida para melhor.

Ana Laura Velloso

Cresci com pais super diferentes e 3 irmãos mais velhos, e, por isso, sempre tive muito em que me espelhar, e eles tiveram muita influência em mim.

Meu pai teve 3 filhos no seu primeiro casamento, e aí se casou com a minha mãe, e eles me tiveram. Meus pais têm perfis bem diferentes, e acabei herdando traços da personalidade de cada um. O meu pai é todo do lado cerebral e lógico e tem bastante talento musical, enquanto a minha mãe é mais atlética e tem uma habilidade emocional incrível e sempre sabe como lidar com as pessoas.

Eu não podia ter escolhido pais melhores! Eles me mostraram que eu posso ser a melhor em muitas coisas, que sou forte o suficiente para ir atrás de qualquer sonho e de qualquer coisa que eu queira alcançar, e me ajudaram a desenvolver as habilidades necessárias para tanto.

No mundo em que vivemos, a sociedade estabelece que precisamos escolher uma coisa e ir atrás só disso, e que as mulheres devem ser de uma maneira e agir de uma certa maneira, mas estou aqui para discordar de tudo isso. Sou apaixonada por economia, música, beleza, moda e esportes. Mesmo nos dias de hoje, as mulheres ainda não são bem-vindas no mercado financeiro, mas isso pode ser mudado, e será, e eu quero fazer parte desta mudança.

Quero encorajar você a também mudar tudo o que quiser. Persiga os seus sonhos, cuide de si e não deixe ninguém te dizer que você não pode fazer algo porque eu vou te dizer: tenho certeza de que você é forte o suficiente para fazer qualquer coisa se o desejar de verdade, e, assim, poderá voar na vida!